Mondrian. processo de abstração
Figuras de Renato de Fusco. Arte Contemporânea. Martins Fontes
- a linguagem neoplástica tem uma atitude analítica em relação à arte e dedica-se à reexaminá-la, a partir de Seurat e Cézane, na linha auto-reflexiva. Acredita numa lógica “evolutiva” das formas naturalísticas à abstração. Donde o termo abstrato significa: “invenção de um sistema de arte constituído por unidades de base constantes e por regras gramaticais e sintáticas precisas, que tornam possível o seu funcionamento em contextos diferentes”. A abstração do the Stijl tem esse significado essencial: “reduzir a variedade infinita do universo fenomênico a elementos limitados e constantes” e a regras combinatórias.
Concretismo, reavaliação da denominação da abstraçãopor volta de 1930, uma nova concepção da arte da formatividade. O produto da arte (abstrata) constitui um objeto concreto.
Abstração significado dicionário:
O termo abstrato vem de abstrair, que significa tirar, remover, trazer de dentro. Fazer uma abstração significa, assim, considerar um aspecto de alguma realidade desprezando outros, trazer à luz certas características de alguma coisa fazendo abstração das demais. Abstração - Operação pela qual o espírito separa mentalmente coisas de fato inseparáveis.
Abstrato - O que resulta de uma abstração. O contrário de concreto.
Textos, fichas de leitura, trabalhos de alunos da disciplina Teoria da arquitetura e do urbanismo, Departamento de Arquitetura e Urbanismo, UFES. Recorte histórico: do iluminismo ao segundo pós guerra
quinta-feira, 29 de julho de 2010
De Stijl (1917 e 1931) 3 Rietveld
terça-feira, 27 de julho de 2010
De Stijl (1917 e 1931)
De Stijl: Influências
Arquiteto holandês Petrus Berlage que relacionava as idéias de Gottifried Semper ao determinismo tecno-funcional e Viollet Le Duc.
Insistia em verdades elementares
• a primazia do espaço
• a importância das paredes enquanto criadoras de formas
• a necessidade de proporção sistemática (seguidores de Berlarge Guerrit Rietveld e Mies Van der Rohe)
Para o The Stijl o espaço é o interior do invólucro, não o espaço continuo. As paredes são portantes de carga e solidamente construídas com alvenaria, sem ornamento.
Também como Adolf Loos (“O ornamento é crime”) os arquitetos do The Stijl consideravam que na arquitetura decoração e ornamento não são essenciais. Para eles, o relacionamento entre massas são os verdadeiros processos essenciais, identificando-se com a “Verdade dos Materiais”.
A Questão do Estilo _ De Stijl
“Unidade na Pluralidade”
Para Berlage, a proporção era uma prevenção contra modas passageiras.
“A geometria é da maior utilidade e também da minha maior necessidade”
O objetivo dos sistemas proporcionais e de toda criação artística era criar o estilo fundamental, a qualidade estética. Estilo ajustava-se à noção de repouso.
Estilo é também ordem – em que as leis fixadas são efetivas - chega-se a questão de ordens e tipos - que vem de antigas tradições que reaparecem (arquétipos) e têm sua própria história. Nada, portanto, é puramente abstrato, tudo é governado pela circunstância e pelo relacionamento (Gottifried Semper).
“Simplicidade e repouso são as qualidades que medem o verdadeiro valor de qualquer obra de arte” (Frank Lloyd Wright).
Influência de Wright
A transformação da técnica industrial através da arte. A Morfologia assimétrica para vida doméstica, a ênfase na horizontalidade. O tratamento geométrico de planos e elementos construtivos. O espaço contínuo (planta livre).
Influência do Cubismo
Equilíbrio entre representação e abstração figurativa. A decomposição do objeto - deixando pistas para sua reconstrução; decomposição - seguindo princípios arbitrários.
Influência do Matemático M. H. Schoenmaekers
“A Nova Imagem do Mundo” (1915)
“Princípios de Matemática Plástica”( 1916).
Os princípios plásticos e filosóficos do movimento basearam-se no livro “A Nova Imagem do Mundo” (1915) de M. H. Schoenmaekers que se refere à preeminência cósmica da ortogonal.
Os dois eixos fundamentais completos que dão forma à Terra são a linha horizontal de energia, o curso da Terra em torno do Sol e o movimento vertical. (profundamente espacial).
De Stijl: Sobre as Cores Primárias
Amarelo, azul, vermelho são as únicas cores existentes para o The Stijl. Amarelo é o movimento do raio de sol; Azul é a cor contrastante do amarelo, como cor azul é o firmamento, a linha, a horizontalidade. O vermelho é conjugação entre amarelo e azul. Amarelo irradia, azul tema, o vermelho flutua.
Assim The Stilj nasceu da fusão de pensamentos afins. Matemática neoplatônica, do matemático Dr. Schoenmaekers e dos conceitos arquiteturais _ espaciais, construtivos e plásticos_ de Wright e Berlage.
De Stijl: Membros do Movimento
Piet Mondrian, Theo Van Doesburg (principal ativista e propagador, típico expoente da Vanguarda), J P Oud, Gerrit Rietveld (+ tarde), Piet Mondrian (artista pensador).
Objetos neoplásticos
Cadeira Rietveld 1917 – primeiro objeto em três dimensões reais com o uso de cores canônicas primárias.
Fase Holandesa do de Stil
1917-1920 - A Linha Reta - Confrontação entre natureza e abstração/ indivíduo/universal.
Programa do The Stil
1. A despersonalização da arte
Caráter individual do edifício para dirigir a uma arte de grupo. Com inter-relacionamentos rítmicos entre ate mesmo as menores partes estruturais, e sem adição de decoração. The Stijl era anti-determinista, anti-materialista.
2. Desequilíbrio presente na arte pelo contraste entre o individual e o universal que é definido como trágico.(a angústia)
3. Morte da arte
A arte porque abstrata pode preceder o desaparecimento gradual do trágico. Quanto menor mais pureza adquire arte.
4. Unificação entre arte, arquitetura (pintura e escultura) criar uma nova realidade plástica.
5. Linguagem é enfaticamente cartesiana, racionalista e formalista.
Manifesto/ Fase internacional do De Stijl
Implantação ao lado da Bauhaus The Van Doesburg/ Gerrit Rietvelt/ Cor Van Esteren/ El Lissistsky/ Grupo G – Mies Van Der Rohe, caracteriza-se pelo elementarismo. Subordinação da arte as exigências de sua reprodução técnica – Mies Van Der Rohe.
Referências principais:
STANGOS, Nikos.(Org.). Conceitos de arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 1999.
FRAMPTON, , Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
DE FUSCO, Renato. História da Arte Contemporânea. Lisboa: Presença, 1988.
Arquiteto holandês Petrus Berlage que relacionava as idéias de Gottifried Semper ao determinismo tecno-funcional e Viollet Le Duc.
Insistia em verdades elementares
• a primazia do espaço
• a importância das paredes enquanto criadoras de formas
• a necessidade de proporção sistemática (seguidores de Berlarge Guerrit Rietveld e Mies Van der Rohe)
Para o The Stijl o espaço é o interior do invólucro, não o espaço continuo. As paredes são portantes de carga e solidamente construídas com alvenaria, sem ornamento.
Também como Adolf Loos (“O ornamento é crime”) os arquitetos do The Stijl consideravam que na arquitetura decoração e ornamento não são essenciais. Para eles, o relacionamento entre massas são os verdadeiros processos essenciais, identificando-se com a “Verdade dos Materiais”.
A Questão do Estilo _ De Stijl
“Unidade na Pluralidade”
Para Berlage, a proporção era uma prevenção contra modas passageiras.
“A geometria é da maior utilidade e também da minha maior necessidade”
O objetivo dos sistemas proporcionais e de toda criação artística era criar o estilo fundamental, a qualidade estética. Estilo ajustava-se à noção de repouso.
Estilo é também ordem – em que as leis fixadas são efetivas - chega-se a questão de ordens e tipos - que vem de antigas tradições que reaparecem (arquétipos) e têm sua própria história. Nada, portanto, é puramente abstrato, tudo é governado pela circunstância e pelo relacionamento (Gottifried Semper).
“Simplicidade e repouso são as qualidades que medem o verdadeiro valor de qualquer obra de arte” (Frank Lloyd Wright).
Influência de Wright
A transformação da técnica industrial através da arte. A Morfologia assimétrica para vida doméstica, a ênfase na horizontalidade. O tratamento geométrico de planos e elementos construtivos. O espaço contínuo (planta livre).
Influência do Cubismo
Equilíbrio entre representação e abstração figurativa. A decomposição do objeto - deixando pistas para sua reconstrução; decomposição - seguindo princípios arbitrários.
Influência do Matemático M. H. Schoenmaekers
“A Nova Imagem do Mundo” (1915)
“Princípios de Matemática Plástica”( 1916).
Os princípios plásticos e filosóficos do movimento basearam-se no livro “A Nova Imagem do Mundo” (1915) de M. H. Schoenmaekers que se refere à preeminência cósmica da ortogonal.
Os dois eixos fundamentais completos que dão forma à Terra são a linha horizontal de energia, o curso da Terra em torno do Sol e o movimento vertical. (profundamente espacial).
De Stijl: Sobre as Cores Primárias
Amarelo, azul, vermelho são as únicas cores existentes para o The Stijl. Amarelo é o movimento do raio de sol; Azul é a cor contrastante do amarelo, como cor azul é o firmamento, a linha, a horizontalidade. O vermelho é conjugação entre amarelo e azul. Amarelo irradia, azul tema, o vermelho flutua.
Assim The Stilj nasceu da fusão de pensamentos afins. Matemática neoplatônica, do matemático Dr. Schoenmaekers e dos conceitos arquiteturais _ espaciais, construtivos e plásticos_ de Wright e Berlage.
De Stijl: Membros do Movimento
Piet Mondrian, Theo Van Doesburg (principal ativista e propagador, típico expoente da Vanguarda), J P Oud, Gerrit Rietveld (+ tarde), Piet Mondrian (artista pensador).
Objetos neoplásticos
Cadeira Rietveld 1917 – primeiro objeto em três dimensões reais com o uso de cores canônicas primárias.
Fase Holandesa do de Stil
1917-1920 - A Linha Reta - Confrontação entre natureza e abstração/ indivíduo/universal.
Programa do The Stil
1. A despersonalização da arte
Caráter individual do edifício para dirigir a uma arte de grupo. Com inter-relacionamentos rítmicos entre ate mesmo as menores partes estruturais, e sem adição de decoração. The Stijl era anti-determinista, anti-materialista.
2. Desequilíbrio presente na arte pelo contraste entre o individual e o universal que é definido como trágico.(a angústia)
3. Morte da arte
A arte porque abstrata pode preceder o desaparecimento gradual do trágico. Quanto menor mais pureza adquire arte.
4. Unificação entre arte, arquitetura (pintura e escultura) criar uma nova realidade plástica.
5. Linguagem é enfaticamente cartesiana, racionalista e formalista.
Manifesto/ Fase internacional do De Stijl
Implantação ao lado da Bauhaus The Van Doesburg/ Gerrit Rietvelt/ Cor Van Esteren/ El Lissistsky/ Grupo G – Mies Van Der Rohe, caracteriza-se pelo elementarismo. Subordinação da arte as exigências de sua reprodução técnica – Mies Van Der Rohe.
Referências principais:
STANGOS, Nikos.(Org.). Conceitos de arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 1999.
FRAMPTON, , Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
DE FUSCO, Renato. História da Arte Contemporânea. Lisboa: Presença, 1988.
sábado, 3 de julho de 2010
Definições de plano urbanístico
Planos urbanísticos- Conjunto de documentos resultantes do processo de planejamento, expresso em metas e objetivos para curto e médio prazos, preferencialmente, elaborada de forma participativa com população a que servirá e com a devida aprovação das autoridades competentes (FERRARI, 2004)
O plano geralmente tem caráter provisório, por isso, é submetido a constantes revisões e atualizações (PORTAS, 1993). O plano deve (a priori) ser sempre de natureza integrada (ver planejamento integrado). Conforme área de jurisdição o plano pode ser municipal, regional, macroregional, estadual, ainda nacional. De acordo com sua abrangência de seus objetivos ou sua temática pode ser básico, que é sempre geral, ou pode ser setorial. O plano de mobilidade urbana ou um plano de renovação ou de desenvolvimento de uma área deteriorada é um plano setorial (FERRARI, 2004).
O planejamento físico-territorial é uma modalidade de planejamento setorial, que visa ao ordenamento espacial da área sob planejamento ou mais especificamente a regulamentação dos usos e da ocupação do solo e ao traçado das vias. De acordo com Celson Ferrari o planejamento no Brasil ainda é “predominantemente fisico-territorial.” (FERRARI, 2004). Mas não se pode concordar com isso sem verificar cuidadosamente essa sentença.
Um Plano diretor é um instrumento de planejamento urbano que coloca diretrizes de ordenamento físico-territorial, clivagem de usos do solo e entre espaços públicos e privados, bem como preconiza o equilíbrio ambiental e social dos espaços a que se aplicam e o bem-estar de seus usuários (DUARTE, 2007). Em termos de escala e abrangência geralmente abrange o município.
O planejamento integrado método de aplicação contínua e permanente destinado a resolver de maneira racional a problemática que afeta determinada sociedade, considerando espaço e tempo. Esta modalidade de plano atua basicamente por uma previsão ordenada das mudanças desejadas pela sociedade, em que se consideram aspectos físico-territoriais, sociais, econômicos, administrativos da realidade. Esta vincula as mudanças pretendidas a objetivos e a diretrizes de planos dos demais escalões governamentais. O planejamento integrado considera a realidade em sua complexidade e de forma sistêmica; estrutura-se verticalmente (entre setores governamentais) e horizontalmente (na abordagem dos problemas) de modo a obter unidade, coerência, aplicabilidade em termos da sincronização entre espaço e sociedade. (FERRARI, 2004).
Em suma, o planejamento integrado requer a integração vertical e horizontal de organizações, políticas, planos e programas e ainda, cooperação e conhecimento da interdependência de todos os intervenientes no sistema (SILVA, 2001).
Roberto Monte-Mór descreve o urbanismo racionalista que se difunde no Brasil nos anos 1950, e mundialmente através do organismo internacional de difusão da arquitetura moderna CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna. Este urbanismo racionalista, predominantemente, se baseia na pré-concepção ideológico-formal (um modelo) do espaço segundo uma análise funcional do organismo “cidade” (como se fez no Plano Piloto de Brasília), formando o que Monte-Mór denominou “ilhas de racionalidade” (MONTE-MÓR, 2008).
A modelização espacial é uma práxis da disciplina de urbanismo, segundo Françoise Choay (1985). Esta tem origem em uma crítica a uma realidade no presente e a modelização espacial de uma realidade futura. Para Choay a regra e o modelo correspondem a duas atitudes fundamentalmente diferentes face ao mundo construtor e ao mundo edificado. As regras são enunciados prescritivos ou proscritivos (NESBITT, 2006), enquanto os modelos advém das utopias que tem um ponto de partida não prático contudo visam servir de instrumento efetivo a concepção de espaços reais.
Um enunciado prescritivo estabelece normas para as práticas, propõe padrões e inclusive pode propor metodologias de projeto; enquanto um enunciado proscritivo estabelece “o que deve ser evitado no projeto”. Os zoneamentos e planos diretores de cidades são exemplos de enunciados proscritivos, pois limitam as escolhas dos projetistas a modelos pré-estabelecidos de alinhamentos, de volumetrias, de taxas de ocupação dos lotes, até os materiais e os estilos de arquitetura (NESBITT, 2006).
Monte-Mór relata que sucede ao urbanismo racionalista o advento no planejamento centrado na idéia de resolução técnica dos problemas fisico-teritoriais dos problemas urbanos da aglomeração urbana, nos anos 1960. Época em que também ocorre a introdução da visão de planejamento integrado intersetorial (MONTE-MÓR, 2008). Este é executado por uma equipe de engenheiros, arquitetos, os sociólogos, e economistas para análise de suas áreas de especialidades.
Marcelo Lopes de Sousa afirma que o planejamento sistêmico, é instrumental e visa a adequação de meios e fins preestabelecidos (SOUSA, 2002). O planejamento integrado considera a realidade em sua complexidade e de forma sistêmica; estrutura-se verticalmente (entre setores governamentais) e horizontalmente (na abordagem dos problemas) de modo a obter unidade, coerência, aplicabilidade em termos da sincronização entre espaço e sociedade (FERRARI, 2004). Também pode ser chamado de planejamento sistêmico em contraposição ao planejamento racionalista, denominado de clássico (SOUSA, 2002). Em suma, o planejamento integrado requer a integração vertical e horizontal de organizações, políticas, planos e programas e ainda, cooperação e conhecimento da interdependência de todos os intervenientes no sistema (SILVA, 2001).
Referências:
DUARTE, Fábio. Planejamento Urbano.Curitiba: Ibepex, 2007
FERRARI, Celson. Dicionário de Urbanismo: Disal Editora, 2004
LAFFER , Betty M.. Planejamento no Brasil. São Paulo: ed. Perspectiva, 1975
MONTE-MOR, Roberto L. M.. Do urbanismo à política urbana: notas sobre a experiência brasileira. In COSTA, Geraldo M. & MENDONÇA, Jupira G. Planejamento urbano no Brasil, trajetória, avanços e perspectivas. Belo Horizonte: C/ARTE, 2008. PP. 31-65
NESBITT, Kate. Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). São Paulo: Cosac & Naify, 2006
SILVA, Pedro. Nova Urbanística, Anacrónicas Práticas e Hipóteses de Planeamento Urbano: Aventuras de (Re)Interpretação. Lisboa: Associação Portuguesa de Planeadores do Território, 2001
SOUZA,Marcelo Lopes De. Mudar a Cidade. Bertrand Brasil, 2002
O plano geralmente tem caráter provisório, por isso, é submetido a constantes revisões e atualizações (PORTAS, 1993). O plano deve (a priori) ser sempre de natureza integrada (ver planejamento integrado). Conforme área de jurisdição o plano pode ser municipal, regional, macroregional, estadual, ainda nacional. De acordo com sua abrangência de seus objetivos ou sua temática pode ser básico, que é sempre geral, ou pode ser setorial. O plano de mobilidade urbana ou um plano de renovação ou de desenvolvimento de uma área deteriorada é um plano setorial (FERRARI, 2004).
O planejamento físico-territorial é uma modalidade de planejamento setorial, que visa ao ordenamento espacial da área sob planejamento ou mais especificamente a regulamentação dos usos e da ocupação do solo e ao traçado das vias. De acordo com Celson Ferrari o planejamento no Brasil ainda é “predominantemente fisico-territorial.” (FERRARI, 2004). Mas não se pode concordar com isso sem verificar cuidadosamente essa sentença.
Um Plano diretor é um instrumento de planejamento urbano que coloca diretrizes de ordenamento físico-territorial, clivagem de usos do solo e entre espaços públicos e privados, bem como preconiza o equilíbrio ambiental e social dos espaços a que se aplicam e o bem-estar de seus usuários (DUARTE, 2007). Em termos de escala e abrangência geralmente abrange o município.
O planejamento integrado método de aplicação contínua e permanente destinado a resolver de maneira racional a problemática que afeta determinada sociedade, considerando espaço e tempo. Esta modalidade de plano atua basicamente por uma previsão ordenada das mudanças desejadas pela sociedade, em que se consideram aspectos físico-territoriais, sociais, econômicos, administrativos da realidade. Esta vincula as mudanças pretendidas a objetivos e a diretrizes de planos dos demais escalões governamentais. O planejamento integrado considera a realidade em sua complexidade e de forma sistêmica; estrutura-se verticalmente (entre setores governamentais) e horizontalmente (na abordagem dos problemas) de modo a obter unidade, coerência, aplicabilidade em termos da sincronização entre espaço e sociedade. (FERRARI, 2004).
Em suma, o planejamento integrado requer a integração vertical e horizontal de organizações, políticas, planos e programas e ainda, cooperação e conhecimento da interdependência de todos os intervenientes no sistema (SILVA, 2001).
Estudiosos sobre gestão urbana Acioly e Davidson a definem como um conjunto de instrumentos, atividades, tarefas e funções que visam assegurar o bom funcionamento de uma cidade. A gestão deve responder às necessidades e demandas da população e dos vários agentes privados, públicos e comunitários, muitas vezes com interesses diametralmente opostos, da forma mais “harmoniosamente” possível.In. Duarte, Planejamento Urbano
O aspecto pragmático do planejamento urbano leva a considerar o momento de gestão (para manter o dinamismo da cidade) como predominante em relação ao momento de elaboração do plano. Na gestão urbana são fundamentais: as leis que regulamentam as diversas propostas dos planos diretores, a clareza do provimento de recursos necessários, o corpo técnico capacitado para implementar e gerenciar as propostas, os fóruns para o envolvimento da sociedade civil.
Inovações citadas por Duarte colocadas pelo Estatuto da Cidade: planos diretores municipais, co-responsabilidade dos municipios no processo de planejamento, princípios de boa governança _ new public manegement, assimilação de métodos da administração privada pelo setor público.
Roberto Monte-Mór descreve o urbanismo racionalista que se difunde no Brasil nos anos 1950, e mundialmente através do organismo internacional de difusão da arquitetura moderna CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna. Este urbanismo racionalista, predominantemente, se baseia na pré-concepção ideológico-formal (um modelo) do espaço segundo uma análise funcional do organismo “cidade” (como se fez no Plano Piloto de Brasília), formando o que Monte-Mór denominou “ilhas de racionalidade” (MONTE-MÓR, 2008).
A modelização espacial é uma práxis da disciplina de urbanismo, segundo Françoise Choay (1985). Esta tem origem em uma crítica a uma realidade no presente e a modelização espacial de uma realidade futura. Para Choay a regra e o modelo correspondem a duas atitudes fundamentalmente diferentes face ao mundo construtor e ao mundo edificado. As regras são enunciados prescritivos ou proscritivos (NESBITT, 2006), enquanto os modelos advém das utopias que tem um ponto de partida não prático contudo visam servir de instrumento efetivo a concepção de espaços reais.
Um enunciado prescritivo estabelece normas para as práticas, propõe padrões e inclusive pode propor metodologias de projeto; enquanto um enunciado proscritivo estabelece “o que deve ser evitado no projeto”. Os zoneamentos e planos diretores de cidades são exemplos de enunciados proscritivos, pois limitam as escolhas dos projetistas a modelos pré-estabelecidos de alinhamentos, de volumetrias, de taxas de ocupação dos lotes, até os materiais e os estilos de arquitetura (NESBITT, 2006).
Monte-Mór relata que sucede ao urbanismo racionalista o advento no planejamento centrado na idéia de resolução técnica dos problemas fisico-teritoriais dos problemas urbanos da aglomeração urbana, nos anos 1960. Época em que também ocorre a introdução da visão de planejamento integrado intersetorial (MONTE-MÓR, 2008). Este é executado por uma equipe de engenheiros, arquitetos, os sociólogos, e economistas para análise de suas áreas de especialidades.
Marcelo Lopes de Sousa afirma que o planejamento sistêmico, é instrumental e visa a adequação de meios e fins preestabelecidos (SOUSA, 2002). O planejamento integrado considera a realidade em sua complexidade e de forma sistêmica; estrutura-se verticalmente (entre setores governamentais) e horizontalmente (na abordagem dos problemas) de modo a obter unidade, coerência, aplicabilidade em termos da sincronização entre espaço e sociedade (FERRARI, 2004). Também pode ser chamado de planejamento sistêmico em contraposição ao planejamento racionalista, denominado de clássico (SOUSA, 2002). Em suma, o planejamento integrado requer a integração vertical e horizontal de organizações, políticas, planos e programas e ainda, cooperação e conhecimento da interdependência de todos os intervenientes no sistema (SILVA, 2001).
Referências:
DUARTE, Fábio. Planejamento Urbano.Curitiba: Ibepex, 2007
FERRARI, Celson. Dicionário de Urbanismo: Disal Editora, 2004
LAFFER , Betty M.. Planejamento no Brasil. São Paulo: ed. Perspectiva, 1975
MONTE-MOR, Roberto L. M.. Do urbanismo à política urbana: notas sobre a experiência brasileira. In COSTA, Geraldo M. & MENDONÇA, Jupira G. Planejamento urbano no Brasil, trajetória, avanços e perspectivas. Belo Horizonte: C/ARTE, 2008. PP. 31-65
NESBITT, Kate. Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). São Paulo: Cosac & Naify, 2006
SILVA, Pedro. Nova Urbanística, Anacrónicas Práticas e Hipóteses de Planeamento Urbano: Aventuras de (Re)Interpretação. Lisboa: Associação Portuguesa de Planeadores do Território, 2001
SOUZA,Marcelo Lopes De. Mudar a Cidade. Bertrand Brasil, 2002
quinta-feira, 16 de julho de 2009
CIDADES-JARDIM E SUBÚRBIOS
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| Publicidade de casa unifamiliar em subúrbio americano no contexto do Planejamento Regional de New York, 1927. Fonte Tafuri et allii |
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| Suburbio Americano Riversisde cerca de 1930 |
O urbanismo surgido nas grandes cidades americanas como Nova York e Chicago enquadra-se no sistema competitivo do mercado capitalista. No mesmo período, também ocorreram aportações críticas do problema urbano na América. O culto à natureza e a aspiração de encontrar uma comunidade espiritual, que já estavam explícitas em Thomas Jefferson e nos poetas Thoreau e Walt Whitman. Estes fatos conduzem ao reconhecimento do paisagismo inglês e do urbanismo tradicional europeu como modelos a serem seguidos, mas adaptando-os às condições locais.
O urbanismo americano do séc. XIX possui um ideal de equilíbrio entre cidade e campo, que se tornou significativo com o passar do tempo, com o tema de uma integração entre natureza e espaço construído .
O complexo residencial Llewellyn Park, em Nova Jersey, foi projetado por Alexander J. Davis, em 1853. Foi um dos primeiros subúrbios que se caracterizou por um grande gramado onde se localizavam cottages românticos .
VER.Entrada de Llewellyn Park
Frederic Law Olmestead desenvolveu seu trabalho de planejamento de cidades dentro de uma tradição agrária, sem, no entanto, conseguir desvencilhar-se totalmente do ecletismo e da especulação imobiliária .
Olmestead e Calver Vaux projetaram o Central Park de Nova York, em 1863, fazendo referência ao pinturesco inglês. O desenho tem o objetivo de contrabalançar o gigantismo metropolitano, integrando o espaço aberto do parque à paisagem da cidade, pontuando lugares e percursos agradáveis. O parque tornou-se símbolo de identidade coletiva e de valor econômico, os edifícios residenciais que se localizam de frente ao parque são dos mais valorizados da ilha de Manhattan.
Olmestead e Vaux também projetaram do subúrbio de Riverside, em Illinois, em 1869, o qual delineia o desejo dos americanos de viverem em condomínios exclusivos no “coração da natureza”, mas conectados à cidade por eficientes vias e meios de transporte .
Ver figura Subúrbio Riverside – chamar atenção para o traçado orgânico
Projetos deste porte só apareceram na Inglaterra bem depois, como reflexo do debate socialista sobre a situação de moradia nos centros urbanos industriais.
Europa
Na Inglaterra, Port Sunlight, iniciado em 1889, enfatizava em sua concepção o pinturesco, a baixa densidade demográfica e o respeito pelas condições topográficas do lugar .
Ebenezer Howard, tendo como parâmetro o subúrbio de Riverside, idealiza o conceito de cidade-jardim, que é difundido em seu livro “Cidades-Jardim do Amanhã”, de 1898. Neste propõe uma solução para o conflito entre cidade e campo, grave problema naquele período.
Howard em seu livro, por meio de diagramas, esquematiza uma cidade com população limitada a no máximo 30 mil pessoas e dimensões preestabelecidas a aproximadamente 405 hectares. O terreno de propriedade coletiva deveria organizar por zonas as funções urbanas ligadas à moradia, lazer e trabalho. As casas poderiam seguir diversos estilos arquitetônicos e o comportamento das pessoas era regido por regras éticas. A meta era que as cidades-jardim criassem uma cultura própria .
Figura esquema de Ebenezer Howard adverte que seu diagrama deve ser adaptado ao terreno ao qual seria aplicado.
Os 3 imãs de Howard
“Cidade:
“Afastamento da natureza, isolamento das multidões, distância do trabalho, aluguéis e preços altos. Jornada excessiva de trabalho, exército de desempregados. Nevoeiros, seca, ar pestilento e céu sombrio, cortiços e bares.
“Oportunidades sociais, locais de entretenimento, altos salários, oportunidade de emprego. Ruas bem iluminadas, edifícios palacianos.
“Campo:
“Falta de vida social, desemprego, matas, jornada longa salários baixos, falta de drenagem, falta de entretenimento, falta de espírito público, casas superlotadas.
“Beleza da natureza, terra ociosa, bosques, campinas, florestas, ar fresco, abundância de água, sol brilhante, carência de reformas, aldeias desertas.
“Cidade-campo:
Beleza da natureza: campos, bosques e parques de fácil acesso, aluguéis baixos, preços baixos, oportunidades para empreendimentos, ar e água puros, residências e jardins esplêndidos, liberdade. Oportunidades sociais, muito a fazer (construir), nenhuma exploração, afluxo de capital, boa drenagem, ausência de fumaça e cortiços, cooperação”.
Raymond Unwin e Barry Parker fizeram diversos projetos de cidade-jardim, na Inglaterra. Barry Parker também atuou nos EUA e no Brasil. Na Inglaterra, o projeto de Lechworth de 1899, inspirava-se em William Morris, preservando as qualidades de privacidade, de funcionalidade e de “honestidade” na relação entre forma e materiais construtivos. O traçado urbano tinha um desenho orgânico, adaptando o diagrama de Howard às condições preexistentes no local.
América anos 1920-30
Nos anos 30, Clarence Stein, arquiteto americano, concebeu um modelo urbanístico denominado Radburn, para um bairro de mesmo nome em Nova Jersey. O modelo radburn contribuiu para qualificar o local, afastando a dispersão e ausência de sentido de vizinhança em que os subúrbios haviam decaído. Entre 1928 e 33, Stein criou tipos de assentamentos residenciais que inovaram o conceito de cidade-jardim, agregando-lhe o conceito de unidade de vizinhança e de diferenciação entre percursos e áreas verde, assim como de ruas de acesso às moradias e ruas de serviço.
A despeito da escala doméstica dos projetos de Clarence Stein, sua intenção era alcançar complexos urbanos inteiros, porém, a crise de 1929 interrompeu a implementação de suas propostas, sem que deixassem de ser conhecidas entre os arquitetos do CIAM, que as aplicaram em seus projetos urbanos, sobretudo no segundo pós-guerra .
Ver figura. Plano do Radburn de Clarence Stein, em Nova Jersey, 1928-33
Também foi aplicado em centro de densidade mais elevada como Nova York, como apartamentos-jardim, ver Livro de Nova York anos 30.
As propostas de cidade-jardim americanas e inglesas tinham como meta, obter para seus cidadãos um modo de vida pacífico, harmônico e saudável.
O espaço de alta densidade e geométrico das cidades verticalizadas americanas é o seu inverso, a dispersão e organicidade atingidas nos subúrbios-jardim, resultam em idéias de moradias distintas, que refletem nos modos de vida dos habitantes, nas tipologias, programas e plantas da habitação e mesmo nos estilos arquitetônicos.
Profa. Clara Miranda/ Fichas de leitura/ 2000
Bibliografia
TAFURI, Manfredo & DAL CO, Francesco. Modern Architecture/1, Milão: Electa. New York. Rizzoli.
CIUCCI, Giorgio, DAL CO, Francesco, TAFURI, Manfredo. La Ciudad Americana, de la guerra civil al new deal. Barcelona: Gustavo Gilli
HALL, Peter. Cidades do Amanhã. São Paulo: Perspectiva
HOWARD, Ebenezer. Cidades-Jardins de Amanhã. São Paulo: HUCITEC.
ver tbm.
http://www.idealcity.org.au/town_planning-5-modern_metropolis.html
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| Llewellyn Park |
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| Riverside, Nova Jersey, Frederik L. Olmestead |
sábado, 4 de julho de 2009
Wright: Arquitetura é criação
Frank Lloyd Wright (1869-1959) / Arquitetura é criação
O problema é diferenciar a arquitetura americana da arquitetura européia, não há dificuldade em ser um artista gênio, em fazer a obra prima.
A América é para Wright, um imenso espaço disponível para o exercício da criação. O arquiteto é um pioneiro, com a missão de construir a feição original de um país balizada por esses princípios. Propõe a arquitetura orgânica, termo que sintetiza uma analogia geral e poética que aproxima fatos sociais da lógica da biologia. A vitalidade das conquistas científicas iluminaria as teorias do crescimento da sociedade. A arquitetura interessa as relações entre organismo, função e o princípio da vitalidade. A arquitetura guiada pelo princípio orgânico cresce de dentro para fora, em harmonia com o meio, integra interior e exterior rompendo os limites da caixa mediante do jogo livre de paredes. Wright propõe que a arquitetura não depende da história nasce da relação com o entorno, não se interessa pela história, mas, pelo atemporal. O princípio fundamental da arquitetura orgânica é de que o processo da construção deve ser natural como o crescimento. O termo orgânico forma um sistema de concepção do espaço como um campo de forças, não como uma relação de grandezas, a arte forma um sistema entre realidade natural e humana. Para Argan a inovação de Wright está em situar a arquitetura como resultado da ação do sujeito e não na produção de objetos.
Wright estabelece uma polêmica contra as megalópolis, que se coloca no seio da escolha do modelo econômico para a América. Esta emerge desde a divisão entre a centralização econômica nas cidades: indústria e urbanização, cidades ligadas à Europa e às idéias republicanas (leste); do outro lado os farmers e pequenos negociantes do sul e meio oeste, geralmente democratas (situação que se inverteu no mundo contemporâneo). Os democratas lançam a discussão de descentralização industrial e novo equilíbrio entre cidade e campo, Roosevelt eleito presidente várias vezes foi o grande incentivador desta proposta.
A proposta é de unir o centro e o sul, defender a estabilidade de vida o uso do tempo livre contra o inimigo “natural” que é o sistema industrial. A descentralização econômica é opositora da Wall Street de Nova Iorque. Wright nos anos 20 pensa numa democracia baseada na agricultura na pequena propriedade, na descentralização da indústria. Apostava em configurações territoriais anti-urbanas.
Ocatillo Camp anos 20, na Califórnia; Taliessin, anos 30, no Arizona. A proposta da Broadacre city aposta no self-made-man, na atuação individual e no intercâmbio desta.
A fase da Pradaria - 1890-1916
Casa Winslow 1893 obra de transição
• Fachada Pública - simétrica centrada eixo
• Fachada dos Fundos - assimétrica entrada lateral
Richardson - Arquiteto precursor, influencia Wright nos dos telhados da pradaria
Casa pradaria 1901 - a beleza é ressaltada por formas e elementos construtivos, por telhados leves, prolongados (em balanço) e terraços como fizeram L. Sullivan e M Richardson. Utiliza o estilo assimétrico para ambientes domésticos (inspirados em N. B. Shaw, arquiteto inglês, seguidor de W. Morris) e estilo simétrico para instituições públicas. As Massas que constituem o volume são demarcadas nas arestas (cloisionismo).
Em todo o período de atuação Wright expressa a crença no novo mundo, no self made man, mas também o rechaço do romantismo. Então, busca um estilo para América. Seu projeto é bem diferente de justapor colonizar – como fez Thomas Jefferson – que recorria ao ecletismo com estilos importados da Europa.
Obras primas:
Casa da Cascata, 1936
Complexo do Laboratório Johnson, 1936/39
Taliensin West, 1938
Museu Guggeinhein, 1959, Nova York
Problema Habitação pode ser considerada uma tradução entre as culturas americana e inglesa no final do Século XIX e no início do XX.
• Planta conforme as necessidades e condicionantes do contexto – planta livre - flexível
• Espaço interior a marca central da chaminé - fogo purificador
• Interpenetração de volumes e Superfícies planas descontínuas
• Emprego de materiais naturais
• Superfícies lisas - trabalhadas Acabamentos de interiores / ornamento = Sulivan
• Espaço interior em relação com o terreno
• Atração ao orgânico: quer dizer vida / desenvolvimento / dinamismo
• Linha horizontal: linha da vida doméstica, verticalidade (monumentalidade rejeitada por Wright),
• Linguagem linear - Linha para demarcar ângulos, decompor os volumes não em planos, mas, em superfícies, nós focais, a utilização dos materiais, dinâmica espacial.
• Wright - conjunto orgânico x abstração
Pontos que caracterizam as casas da pradaria, Chicago:
• Interior e exterior com senso de unidade: reduz as partes necessárias ao mínimo (salas e cômodos). Faz estes em conjunto subdividindo-os por meio de artifícios de luz, permeadas por vistas abertas para a paisagem.
• Associação da construção com o sítio, ênfase com os planos paralelos do terreno, as paredes são paralelas ao melhor lado do terreno, conexão com a vida doméstica.
• Caixa eliminada e alargamento do espaço interno, uso de proporções humanas como base. Recorria a harmonização entre exterior e interior. “O cômodo fechado não é a expressão essencial da arquitetura”.
• Construção sobre uma base elevada, fundação visível.
• Redução da quantidade de materiais, utilizar os ornamentos dentro da natureza dos materiais, este uso expressa claramente a concepção do edifício.
• Incorporação dos equipamentos hidráulicos-sanitários, aquecimento, eletricidade atendendo aos princípios da arquitetura orgânica.
• Incorporar os maquinismos se possível, evitar linhas retas diretas (volumetria cúbica quebrada).
• Eliminar o decorador.
Wright, todavia, insistia na autoridade dos materiais e métodos tradicionais na fase das casas da pradaria.
Anos 30 e 40: casas usonianas
Wright acredita que uma cultura igualitária surgiria espontaneamente nos EUA. Enfatizava o individualismo necessário para realização de uma forma dispersa e nova. Segundo o arquiteto americano, a horizontalidade é a linha de força da terra, da ação da vida humana e do repouso. Na arquitetura que preconizava a horizontalidade domina o exterior é realçada pela ausência de delimitações no interior. O estilo horizontal de viver promove a interação e livre mobilidade. Por sua vez, Wright coloca que a verticalidade acentua a hierarquia, o isolamento e a ambição.
Para Wright a casa não deve ser um espaço rígido que condiciona a existência, mas um meio de contato com a realidade. O espaço tem que possibilitar a sua definição pelo indivíduo que o usufrui.
Conseqüências lógicas dessas conceituações são:
• Eliminação da caixa espacial
• Redução das determinantes formais às horizontais e verticais e ao cruzamento de planos, planta livremente articulada.
• Anulação de separações rígidas entre interior e exterior.
• Integração entre edifício e paisagem.
• Interesse pelos processos tecnológicos mais modernos, Wright os considera não como aspectos exteriores a realidade e sim segundo seus ritmos internos de agregação de desenvolvimento: a arquitetura orgânica.
• Contraposição à megalópis O museu Guggenhein (1958) é um organismo plástico dinâmico que se opõe ao alinhamento das ruas frontais ao Central Park (NY), contrária violência da regularidade e uniformidade da cidade.
Desenho da arquitetura orgânica
Os desenhos de Wright e Aalto contém a imagem do edifício e do entorno com sua configuração geográfica e “biodiversidade”.
Os desenhos de Gropius e Mies são gráficos explicativos para a construção, arquitetos de linha mais racionalista.
Obras, procedimentos de projeto e viagens:
Wright faz uma viagem ao Japão em 1893, verificação dos espaços do Japão, flexíveis, contínuos entre ambiente e em relação ao exterior, espaços modulados (tatame 90X180 cm).
Realiza um projeto no Japão, o edifício do Hotel Imperial, (destruído). Wright aprendeu um método de ensino que aplicou em Taliesin, no deserto do Arizona, oposto ao da Bauhaus (fase formalista e da nova objetividade), voltado para vida cotidiana, centrado na relação mestre e discípulo, experiência superior, comunhão com a natureza, nos materiais e processos formativos.
As atividades de ensino e de pesquisa desenvolvidas em Taliesin, onde os alunos aprendem não só a projetar e construir, mas a compreender o espírito dos materiais e a espacialidade concreta do local.
Repercussão na Europa
Em 1910 um de um prof. Estética faz uma exposição na Holanda sobre Frank Lloyd Wright que difunde suas idéias. Estas idéias são apropriadas por movimentos como neoplasticismo ou The Stijl, Grupo G, Mies Van der Rohe, entre outros. Na Europa, as conseqüências são a rejeição do art nouveau, com a substituição das linhas que expressavam forças semelhantes às naturais, pela utilização dos planos. A força expressiva dos novos edifícios é dada pela definição no espaço e pelo dinamismo dos volumes que determinam.
Analogia com a biologia relação com a forma arquitetônica
Arquitetura orgânica: partido é resultado de uma relação de forças num campo de força, da relação com o entorno, não é uma relação de grandezas e medidas.
Para Wright arquitetura é resultado de ação do sujeito
Arquitetura Orgânica - termo que sintetiza uma analogia geral e poética que aproxima os fatos sociais da lógica biológica. Interessam as relações entre organismo como função e o principio de vitalidade.
A concepção da arquitetura orgânica baseia-se na individualidade da solução, que cresce de dentro para fora em harmonia com as necessidades do homem (visando seu bem estar psicológico-físico) e em harmonia com o meio. É um intercâmbio entre espaço interior e exterior. Resulta na desmontagem da caixa, dos volumes fechados, enclausurados. Para a linha orgânica, a arquitetura não depende da história nasce com relação ao entorno.
Polêmica contra as megalópolis - propõe construir no subúrbio (casas das pradarias) ou no meio da natureza Taliensin , casas da pradaria e as casas usonianas.
• Projeto de cidade - ver no livro de Françoise Choay, O Urbanismo. Editora Perspectiva..Broadacre city, proposta de cidade de Wright.

Característica da arquitetura recapitulando
Relação com a paisagem e senso de unidade interna. O espaço interior contínuo entre diversos ambientes, a horizontalidade.
Planta aberta, caixa quebrada (volume externo) que possibilita ótima relação entre interior e exterior da construção. Recurso a estratégias construtivas, luz, sombra, ventilação, claridade.
Materiais: pedra, tijolo, madeira, utilizados de acordo com suas propriedades e aparência, uso das cores naturais
O partido do concreto recorre a possibilidade de flexibilidade e de maleabilidade.
Referencias bibliográficas principais:
ZEVI, Bruno. Frank Lloyd Wright. Barcelona, GG, 1985
Françoise Choay, O Urbanismo. Editora Perspectiva
CURTIS, William J.R. Modern Arquitecture Since 1900. PHAIDON PRESS
O problema é diferenciar a arquitetura americana da arquitetura européia, não há dificuldade em ser um artista gênio, em fazer a obra prima.
A América é para Wright, um imenso espaço disponível para o exercício da criação. O arquiteto é um pioneiro, com a missão de construir a feição original de um país balizada por esses princípios. Propõe a arquitetura orgânica, termo que sintetiza uma analogia geral e poética que aproxima fatos sociais da lógica da biologia. A vitalidade das conquistas científicas iluminaria as teorias do crescimento da sociedade. A arquitetura interessa as relações entre organismo, função e o princípio da vitalidade. A arquitetura guiada pelo princípio orgânico cresce de dentro para fora, em harmonia com o meio, integra interior e exterior rompendo os limites da caixa mediante do jogo livre de paredes. Wright propõe que a arquitetura não depende da história nasce da relação com o entorno, não se interessa pela história, mas, pelo atemporal. O princípio fundamental da arquitetura orgânica é de que o processo da construção deve ser natural como o crescimento. O termo orgânico forma um sistema de concepção do espaço como um campo de forças, não como uma relação de grandezas, a arte forma um sistema entre realidade natural e humana. Para Argan a inovação de Wright está em situar a arquitetura como resultado da ação do sujeito e não na produção de objetos.
Wright estabelece uma polêmica contra as megalópolis, que se coloca no seio da escolha do modelo econômico para a América. Esta emerge desde a divisão entre a centralização econômica nas cidades: indústria e urbanização, cidades ligadas à Europa e às idéias republicanas (leste); do outro lado os farmers e pequenos negociantes do sul e meio oeste, geralmente democratas (situação que se inverteu no mundo contemporâneo). Os democratas lançam a discussão de descentralização industrial e novo equilíbrio entre cidade e campo, Roosevelt eleito presidente várias vezes foi o grande incentivador desta proposta.
A proposta é de unir o centro e o sul, defender a estabilidade de vida o uso do tempo livre contra o inimigo “natural” que é o sistema industrial. A descentralização econômica é opositora da Wall Street de Nova Iorque. Wright nos anos 20 pensa numa democracia baseada na agricultura na pequena propriedade, na descentralização da indústria. Apostava em configurações territoriais anti-urbanas.
Ocatillo Camp anos 20, na Califórnia; Taliessin, anos 30, no Arizona. A proposta da Broadacre city aposta no self-made-man, na atuação individual e no intercâmbio desta.
A fase da Pradaria - 1890-1916
Casa Winslow 1893 obra de transição
• Fachada Pública - simétrica centrada eixo
• Fachada dos Fundos - assimétrica entrada lateral
Richardson - Arquiteto precursor, influencia Wright nos dos telhados da pradaria
Casa pradaria 1901 - a beleza é ressaltada por formas e elementos construtivos, por telhados leves, prolongados (em balanço) e terraços como fizeram L. Sullivan e M Richardson. Utiliza o estilo assimétrico para ambientes domésticos (inspirados em N. B. Shaw, arquiteto inglês, seguidor de W. Morris) e estilo simétrico para instituições públicas. As Massas que constituem o volume são demarcadas nas arestas (cloisionismo).
Em todo o período de atuação Wright expressa a crença no novo mundo, no self made man, mas também o rechaço do romantismo. Então, busca um estilo para América. Seu projeto é bem diferente de justapor colonizar – como fez Thomas Jefferson – que recorria ao ecletismo com estilos importados da Europa.
Obras primas:
Casa da Cascata, 1936
Complexo do Laboratório Johnson, 1936/39
Taliensin West, 1938
Museu Guggeinhein, 1959, Nova York
Problema Habitação pode ser considerada uma tradução entre as culturas americana e inglesa no final do Século XIX e no início do XX.
• Planta conforme as necessidades e condicionantes do contexto – planta livre - flexível
• Espaço interior a marca central da chaminé - fogo purificador
• Interpenetração de volumes e Superfícies planas descontínuas
• Emprego de materiais naturais
• Superfícies lisas - trabalhadas Acabamentos de interiores / ornamento = Sulivan
• Espaço interior em relação com o terreno
• Atração ao orgânico: quer dizer vida / desenvolvimento / dinamismo
• Linha horizontal: linha da vida doméstica, verticalidade (monumentalidade rejeitada por Wright),
• Linguagem linear - Linha para demarcar ângulos, decompor os volumes não em planos, mas, em superfícies, nós focais, a utilização dos materiais, dinâmica espacial.
• Wright - conjunto orgânico x abstração
Pontos que caracterizam as casas da pradaria, Chicago:
• Interior e exterior com senso de unidade: reduz as partes necessárias ao mínimo (salas e cômodos). Faz estes em conjunto subdividindo-os por meio de artifícios de luz, permeadas por vistas abertas para a paisagem.
• Associação da construção com o sítio, ênfase com os planos paralelos do terreno, as paredes são paralelas ao melhor lado do terreno, conexão com a vida doméstica.
• Caixa eliminada e alargamento do espaço interno, uso de proporções humanas como base. Recorria a harmonização entre exterior e interior. “O cômodo fechado não é a expressão essencial da arquitetura”.
• Construção sobre uma base elevada, fundação visível.
• Redução da quantidade de materiais, utilizar os ornamentos dentro da natureza dos materiais, este uso expressa claramente a concepção do edifício.
• Incorporação dos equipamentos hidráulicos-sanitários, aquecimento, eletricidade atendendo aos princípios da arquitetura orgânica.
• Incorporar os maquinismos se possível, evitar linhas retas diretas (volumetria cúbica quebrada).
• Eliminar o decorador.
Wright, todavia, insistia na autoridade dos materiais e métodos tradicionais na fase das casas da pradaria.
Anos 30 e 40: casas usonianas
Wright acredita que uma cultura igualitária surgiria espontaneamente nos EUA. Enfatizava o individualismo necessário para realização de uma forma dispersa e nova. Segundo o arquiteto americano, a horizontalidade é a linha de força da terra, da ação da vida humana e do repouso. Na arquitetura que preconizava a horizontalidade domina o exterior é realçada pela ausência de delimitações no interior. O estilo horizontal de viver promove a interação e livre mobilidade. Por sua vez, Wright coloca que a verticalidade acentua a hierarquia, o isolamento e a ambição.
Para Wright a casa não deve ser um espaço rígido que condiciona a existência, mas um meio de contato com a realidade. O espaço tem que possibilitar a sua definição pelo indivíduo que o usufrui.
Conseqüências lógicas dessas conceituações são:
• Eliminação da caixa espacial
• Redução das determinantes formais às horizontais e verticais e ao cruzamento de planos, planta livremente articulada.
• Anulação de separações rígidas entre interior e exterior.
• Integração entre edifício e paisagem.
• Interesse pelos processos tecnológicos mais modernos, Wright os considera não como aspectos exteriores a realidade e sim segundo seus ritmos internos de agregação de desenvolvimento: a arquitetura orgânica.
• Contraposição à megalópis O museu Guggenhein (1958) é um organismo plástico dinâmico que se opõe ao alinhamento das ruas frontais ao Central Park (NY), contrária violência da regularidade e uniformidade da cidade.
Desenho da arquitetura orgânica
Os desenhos de Wright e Aalto contém a imagem do edifício e do entorno com sua configuração geográfica e “biodiversidade”.
Os desenhos de Gropius e Mies são gráficos explicativos para a construção, arquitetos de linha mais racionalista.
Obras, procedimentos de projeto e viagens:
Wright faz uma viagem ao Japão em 1893, verificação dos espaços do Japão, flexíveis, contínuos entre ambiente e em relação ao exterior, espaços modulados (tatame 90X180 cm).
Realiza um projeto no Japão, o edifício do Hotel Imperial, (destruído). Wright aprendeu um método de ensino que aplicou em Taliesin, no deserto do Arizona, oposto ao da Bauhaus (fase formalista e da nova objetividade), voltado para vida cotidiana, centrado na relação mestre e discípulo, experiência superior, comunhão com a natureza, nos materiais e processos formativos.
As atividades de ensino e de pesquisa desenvolvidas em Taliesin, onde os alunos aprendem não só a projetar e construir, mas a compreender o espírito dos materiais e a espacialidade concreta do local.
Repercussão na Europa
Em 1910 um de um prof. Estética faz uma exposição na Holanda sobre Frank Lloyd Wright que difunde suas idéias. Estas idéias são apropriadas por movimentos como neoplasticismo ou The Stijl, Grupo G, Mies Van der Rohe, entre outros. Na Europa, as conseqüências são a rejeição do art nouveau, com a substituição das linhas que expressavam forças semelhantes às naturais, pela utilização dos planos. A força expressiva dos novos edifícios é dada pela definição no espaço e pelo dinamismo dos volumes que determinam.
Analogia com a biologia relação com a forma arquitetônica
Arquitetura orgânica: partido é resultado de uma relação de forças num campo de força, da relação com o entorno, não é uma relação de grandezas e medidas.
Para Wright arquitetura é resultado de ação do sujeito
Arquitetura Orgânica - termo que sintetiza uma analogia geral e poética que aproxima os fatos sociais da lógica biológica. Interessam as relações entre organismo como função e o principio de vitalidade.
A concepção da arquitetura orgânica baseia-se na individualidade da solução, que cresce de dentro para fora em harmonia com as necessidades do homem (visando seu bem estar psicológico-físico) e em harmonia com o meio. É um intercâmbio entre espaço interior e exterior. Resulta na desmontagem da caixa, dos volumes fechados, enclausurados. Para a linha orgânica, a arquitetura não depende da história nasce com relação ao entorno.
Polêmica contra as megalópolis - propõe construir no subúrbio (casas das pradarias) ou no meio da natureza Taliensin , casas da pradaria e as casas usonianas.
• Projeto de cidade - ver no livro de Françoise Choay, O Urbanismo. Editora Perspectiva..Broadacre city, proposta de cidade de Wright.

Característica da arquitetura recapitulando
Relação com a paisagem e senso de unidade interna. O espaço interior contínuo entre diversos ambientes, a horizontalidade.
Planta aberta, caixa quebrada (volume externo) que possibilita ótima relação entre interior e exterior da construção. Recurso a estratégias construtivas, luz, sombra, ventilação, claridade.
Materiais: pedra, tijolo, madeira, utilizados de acordo com suas propriedades e aparência, uso das cores naturais
O partido do concreto recorre a possibilidade de flexibilidade e de maleabilidade.
Referencias bibliográficas principais:
ZEVI, Bruno. Frank Lloyd Wright. Barcelona, GG, 1985
Françoise Choay, O Urbanismo. Editora Perspectiva
CURTIS, William J.R. Modern Arquitecture Since 1900. PHAIDON PRESS
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